_ Boa noite pessoal. É isso.
Os alunos se levantam e saem da sala.
"Eu devia ter dito alguma coisa sobre Manuel Bandeira. Eles sempre gostam de ouvir sobre o porquinho da índia".
Paulo destrava seu carro, estacionado na frente da lanchonete da Dona Cleide. Trânsito. Alfa FM... ah, que delícia ouvir Alfa FM.
Chega em seu prédio, elevador, apartamento. Acende as luzes da sala. Olha ao redor.
Tudo está no lugar. Os muitos livros catalogados por sobrenome do autor nas diversas estantes vizinhas, o peso de papel - lembrança de Bonito-MS -, o porta-retrato com a foto dela... tudo está no lugar.
Ele deixa as chaves em cima da mesinha de canto, tira o paletó e coloca sobre a cadeira, senta no sofá e liga a tv. Nada a se ver.
Desliga a tv, pega um livro na estante. "O velho e bom Dostoievski". Lê umas vinte páginas, pisca mais demoradamente umas duas vezes e não pensa duas vezes: hora de dormir.
Mais um dia acaba para Paulo, que acerta o despertador para às seis da manhã, coloca o pijama e diz boa noite a si mesmo. "Boa noite, Paulo".
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23.9.09
16.9.09
neo.
Uma nova realidade está me esperando na esquina.
Um castelo, uma prisão, um parque de diversões.
A vida é feita de caminhos, isso eu sempre digo.
A estrada que tomei surgiu de repente e chamou: venha.
Faça sua vida, menina, era o que me diziam.
Você é importante para nós, mas nada podemos fazer.
Se quer crescer, siga seus impulsos mais secretos.
Há tanta mediocridade na vida. Amor não podem ser uma delas.
(Isso eu vi em um filme.)
Um castelo, uma prisão, um parque de diversões.
A vida é feita de caminhos, isso eu sempre digo.
A estrada que tomei surgiu de repente e chamou: venha.
Faça sua vida, menina, era o que me diziam.
Você é importante para nós, mas nada podemos fazer.
Se quer crescer, siga seus impulsos mais secretos.
Há tanta mediocridade na vida. Amor não podem ser uma delas.
(Isso eu vi em um filme.)
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7.8.09
a teoria.
quando eu era criança, tive um sonho bizarro. não me lembro qual era, só da primeira coisa que disse para a minha mãe quando acordei: "mãe, rato de laboratório pode casar com rato normal?" sim, ela não entendeu. eu também não até recentemente.
qual o propósito da rodinha em que os ratos adoram correr? pois bem, também não sei. mas sei que minha terapeuta disse isso esses dias, que os ratos de laboratório correm naquela rodinha porque não têm noção de que aquilo não leva à lugar nenhum. eles acham que vão escapar uma hora, então é natural que na ânsia de ganhar liberdade, eles acelerem os passinhos miúdos, mas não saiam do lugar.
já o ratinho normal é aquele vagabundo, sujo e comedor de porcarias. mas ele não está num círculo vicioso, corre pelo mundo livremente, fugindo apenas de uma eventual vassourada.
pode ser que eu caia no "quem mexeu no meu queijo", mas a real é que um ratinho de laboratório não pode casar com um rato normal. eles têm visões de mundo diferentes e suas realidades são moldadas de acordo com tais visões.
no entanto, há esperanças. o ratinho malandro, aquele dos lixos e esgotos, pode muito bem empurrar o rato branquinho e aristocrata de sua rodinha, ou este último pode convencer o vagabundo de que vida de gaiola é super.
mãe, eu tenho a resposta para aquela pergunta de dezesseis anos atrás: eles podem sim, contanto que estejam correndo para a mesma direção.
qual o propósito da rodinha em que os ratos adoram correr? pois bem, também não sei. mas sei que minha terapeuta disse isso esses dias, que os ratos de laboratório correm naquela rodinha porque não têm noção de que aquilo não leva à lugar nenhum. eles acham que vão escapar uma hora, então é natural que na ânsia de ganhar liberdade, eles acelerem os passinhos miúdos, mas não saiam do lugar.
já o ratinho normal é aquele vagabundo, sujo e comedor de porcarias. mas ele não está num círculo vicioso, corre pelo mundo livremente, fugindo apenas de uma eventual vassourada.
pode ser que eu caia no "quem mexeu no meu queijo", mas a real é que um ratinho de laboratório não pode casar com um rato normal. eles têm visões de mundo diferentes e suas realidades são moldadas de acordo com tais visões.
no entanto, há esperanças. o ratinho malandro, aquele dos lixos e esgotos, pode muito bem empurrar o rato branquinho e aristocrata de sua rodinha, ou este último pode convencer o vagabundo de que vida de gaiola é super.
mãe, eu tenho a resposta para aquela pergunta de dezesseis anos atrás: eles podem sim, contanto que estejam correndo para a mesma direção.
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infinito particular
14.6.09
unindo corações.
No meio da lama, em meio a tanta gente cantando, tanta gente pulando, gente dançando, eu observava o amor nascendo no abraço dos outros, no primeiro e desesperado beijo, no beijo aliviado de quem esperou a vida toda e que tem a vida toda para viver um grande amor.
Eu, acima de toda a humanidade, sorria. Sorriso de trabalho cumprido, de cupido aposentado.
Sim, eu fui o cupido.
And I´m very proud of it.
Eu, acima de toda a humanidade, sorria. Sorriso de trabalho cumprido, de cupido aposentado.
Sim, eu fui o cupido.
And I´m very proud of it.
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causos.
26.5.09
duas velhinhas.
Dirce e Ruth estão sentadas no trem que margeia o rio Pinheiros.
- Estação Ceasa -
"Meu neto conseguiu um emprego na prefeitura."
(pausa)
"É? Ai que bom."
(pausa)
(pausa)
-Estação Villa Lobos -
"Olha essa goiabeira."
(pausa)
"Lá em casa eu tenho uma que dá muita goiaba."
(pausa)
"Às vezes, tem tanta que quase toca o chão."
(pausa)
- Estação Cidade Universitária -
"Mas e a Mirna?"
(pausa)
"A Mirna se divorciou, você não sabia?"
"Mesmo? Que coisa."
(pausa)
"É."
- Estação Pinheiros -
"Ouvi dizer que o quilo do tomate ficou mais caro."
(pausa)
(pausa)
(pausa)
"Vou indo Dirce. Bom conversar com você."
"Com você também, Ruth."
- Estação Hebraica-Rebouças -
- Estação Ceasa -
"Meu neto conseguiu um emprego na prefeitura."
(pausa)
"É? Ai que bom."
(pausa)
(pausa)
-Estação Villa Lobos -
"Olha essa goiabeira."
(pausa)
"Lá em casa eu tenho uma que dá muita goiaba."
(pausa)
"Às vezes, tem tanta que quase toca o chão."
(pausa)
- Estação Cidade Universitária -
"Mas e a Mirna?"
(pausa)
"A Mirna se divorciou, você não sabia?"
"Mesmo? Que coisa."
(pausa)
"É."
- Estação Pinheiros -
"Ouvi dizer que o quilo do tomate ficou mais caro."
(pausa)
(pausa)
(pausa)
"Vou indo Dirce. Bom conversar com você."
"Com você também, Ruth."
- Estação Hebraica-Rebouças -
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12.5.09
le mariage.
As flores estão atrasadas.
O chefe do buffet olha no relógio a cada dois minutos.
Uma rajada de vento faz o toldo levantar levemente.
Ouvem-se risadas ao fundo.
As flores chegam.
Lírios, rosas, tulipas.
Quem é responsável pelo gelo? O gelo chegou! Edna!
Prato, talheres, guardanapo, prato, talheres, guardanapo, prato, talheres...
...
As mãos dele estão suando.
Nos bancos a sua frente, olhos felizes a observar.
Reconhece sua tia, sua avó dá um tchauzinho debaixo de um chapéu old-fashioned azul turquesa.
Há um alvoroço logo ali, e a marcha começa a tocar.
As penas da noiva estão lindas.
O bico refinadamente decorado.
É a pata mais fantástica que já vira na vida.
O rabinho do noivo balança de alegria.
Tem vontade de uivar, de pular na relva e correr atrás de carros.
...
Sim.
Sim.
A noiva quase chora com o geladinho do nariz dele roçando em seus olhinhos fechados.
O chefe do buffet olha no relógio a cada dois minutos.
Uma rajada de vento faz o toldo levantar levemente.
Ouvem-se risadas ao fundo.
As flores chegam.
Lírios, rosas, tulipas.
Quem é responsável pelo gelo? O gelo chegou! Edna!
Prato, talheres, guardanapo, prato, talheres, guardanapo, prato, talheres...
...
As mãos dele estão suando.
Nos bancos a sua frente, olhos felizes a observar.
Reconhece sua tia, sua avó dá um tchauzinho debaixo de um chapéu old-fashioned azul turquesa.
Há um alvoroço logo ali, e a marcha começa a tocar.
As penas da noiva estão lindas.
O bico refinadamente decorado.
É a pata mais fantástica que já vira na vida.
O rabinho do noivo balança de alegria.
Tem vontade de uivar, de pular na relva e correr atrás de carros.
...
Sim.
Sim.
A noiva quase chora com o geladinho do nariz dele roçando em seus olhinhos fechados.
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contos fantásticos
6.5.09
lentes.
É assim. Você abre bem o olho.
Você olha pra cima e põe.
Segura as pálpebras como se fosse uma pinça.
(Tipo laranja-mecânica?)
Eu faço assim ó.
Joga bastante Renu.
Não. Usa só uma mão.
O lado certo fica bem redondinho.
Olha pra lente e aproxima o dedo.
Tira puxando.
Tira por baixo.
Tira pro lado.
Joga Renu.
Uma hora tem que sair.
Você olha pra cima e põe.
Segura as pálpebras como se fosse uma pinça.
(Tipo laranja-mecânica?)
Eu faço assim ó.
Joga bastante Renu.
Não. Usa só uma mão.
O lado certo fica bem redondinho.
Olha pra lente e aproxima o dedo.
Tira puxando.
Tira por baixo.
Tira pro lado.
Joga Renu.
Uma hora tem que sair.
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causos.
3.5.09
sobre a virada.
Não costumo e não gosto de postar imagens aqui, já que este é o espaço para minhas palavras e as imagens vão para o flickr. Esta será a exceção, já que as imagens enriquecem o relato e também porque estão muito feias pro flickr.
Eu não ia pra virada. Minha relação com muvuca é um pouco conturbada e eu fico meio perdida em meio a tanta gente. Mas eu também não queria ficar em casa enquanto o maior evento cultural da cidade (quiçá do país) acontecia.
Pois bem. Liguei pro Possa e eles (com a Gabi e a Marcela) estavam indo para um workshop no Centro de Cultura Judaica. Pareceu interessante.
O CCJ parece uma fortaleza no meio do Sumaré. Detector de metais desses de aeroporto e nenhum contato com a bilheteria. Por dentro, um espaço muito bacana, arquitetura moderninha e tal. Foi a primeira vez que um elevador falou comigo, no CCJ. Queríamos visitar a exposição do 1º andar e, quando entramos no elevador, logo depois de eu falar algo sobre a Cabala e a Madonna, uma voz pergunta aonde estamos indo. Sério, foi surreal.
Já de volta ao térreo (sim, conseguimos visitar a exposição), fomos para o nosso workshop de culinária com o chef Bruno Lerner, cujo tema era “Receitas a base de chá”. Que figura esse chef. Muito bem humorado, ele nos mostrava como preparar uma bebida chamada poção do amor, uma sopa de galinha, um peixe assado e um frango defumado, todos, claro, a base de chá. Eu sei que sou bem chata para comida, principalmente em se falando de oriental, então não vale nada dizer que não gostei do frango (muito shoyu) e do peixe. O chá e a sopa estavam bons, mas então é melhor confiar na opinião dos outros, e eles gostaram muito de tudo. Eu realmente acredito neles.

Workshop com Breno Lerner
Depois fomos ao Tolocos da Augusta para, essa sim minha culinária favorita: a mexicana.
A próxima atração do nosso roteiro era Marcelo Camelo na Av. São João à meia-noite. Quando chegamos, o lugar estava até vazio, mas começou a chegar muita gente. Chegava e passava e gritava e vendia. Entra Marcelo Camelo. Obviamente que do alto dos meus 1,60m eu quase nada vi, mas aproveitei para curtir o som, que do Marcelo é quase hipnótico. Muita gente em volta de mim estava lá sem saber por que estava. Tagarelavam sem parar e nem sabiam quem era o cantor. Agora me diz, por que alguém que nem conhece o cara vai pro meio de uma muvuca ferrada pra ficar parado batendo papo? Quem? Pois é, eles.
Abstraindo-me do entorno, pirei quando ele cantou as músicas do espólio dos Los Hermanos, Pois é, Morena e Além do que se vê.

E avisa que é de se entregar o viver.
Show terminado, eis que descemos (com certa dificuldade) a São João em direção ao palco de dança porque a Gabi queria ver um balé francês com umas camas de pé (xis). Às três, voltaríamos ao palco principal, desta vez bem mais longe do povo, para ver o tributo a Tim Maia. Acontece que queríamos sentar. E, para isso, era preciso abandonar o balé das camas e ir para o palco de dança do Anhangabaú, com cadeirinhas. Esperamos lá a próxima apresentação, que seria às 3 (percebe-se que desistimos do Tim Maia). O espetáculo começa com todo mundo da plateia sendo filmado e mostrado em um telão, com tarjas pretas nos olhos. Depois, umas pessoas que mais pareciam uma mistura de Ets com robôs escandinavos começam a se jogar no chão, uma loucura. Não posso dizer muita coisa, pois primeiro nada sei de dança e segundo porque fiz teatro mais nova e eu fazia uns baratos daqueles.

Meus companheiros de virada.
Enfim, uma dança bem louca, o povo pulando e se jogando no chão, uma menina cantando que nem a Enya e tocando uma Gibson, a plateia sendo filmada e eu tentando entender o significado conotativo daquilo tudo. Eram três e meia da manhã e um cachorro entrou em cena. Ah, bonitinho e tal. Depois, um urso de pelúcia gigante é usado pela dançarina com algum propósito transcendental. Vamos embora.

o urso.
Minha virada acaba com uma menina bulinando um urso de pelúcia e eu penso: estou chata demais pra isso?
Resumindo, gostei da culinária, Pois é me levou às alturas, mas a grande quantidade de pessoas, entre elas muitas mijando, vomitando e gritando me fizeram correr dali, com uma lição aprendida: Virada Cultural? Traga seus DVDs e a pipoca, porque só se for aqui em casa.
Eu não ia pra virada. Minha relação com muvuca é um pouco conturbada e eu fico meio perdida em meio a tanta gente. Mas eu também não queria ficar em casa enquanto o maior evento cultural da cidade (quiçá do país) acontecia.
Pois bem. Liguei pro Possa e eles (com a Gabi e a Marcela) estavam indo para um workshop no Centro de Cultura Judaica. Pareceu interessante.
O CCJ parece uma fortaleza no meio do Sumaré. Detector de metais desses de aeroporto e nenhum contato com a bilheteria. Por dentro, um espaço muito bacana, arquitetura moderninha e tal. Foi a primeira vez que um elevador falou comigo, no CCJ. Queríamos visitar a exposição do 1º andar e, quando entramos no elevador, logo depois de eu falar algo sobre a Cabala e a Madonna, uma voz pergunta aonde estamos indo. Sério, foi surreal.
Já de volta ao térreo (sim, conseguimos visitar a exposição), fomos para o nosso workshop de culinária com o chef Bruno Lerner, cujo tema era “Receitas a base de chá”. Que figura esse chef. Muito bem humorado, ele nos mostrava como preparar uma bebida chamada poção do amor, uma sopa de galinha, um peixe assado e um frango defumado, todos, claro, a base de chá. Eu sei que sou bem chata para comida, principalmente em se falando de oriental, então não vale nada dizer que não gostei do frango (muito shoyu) e do peixe. O chá e a sopa estavam bons, mas então é melhor confiar na opinião dos outros, e eles gostaram muito de tudo. Eu realmente acredito neles.

Workshop com Breno Lerner
Depois fomos ao Tolocos da Augusta para, essa sim minha culinária favorita: a mexicana.
A próxima atração do nosso roteiro era Marcelo Camelo na Av. São João à meia-noite. Quando chegamos, o lugar estava até vazio, mas começou a chegar muita gente. Chegava e passava e gritava e vendia. Entra Marcelo Camelo. Obviamente que do alto dos meus 1,60m eu quase nada vi, mas aproveitei para curtir o som, que do Marcelo é quase hipnótico. Muita gente em volta de mim estava lá sem saber por que estava. Tagarelavam sem parar e nem sabiam quem era o cantor. Agora me diz, por que alguém que nem conhece o cara vai pro meio de uma muvuca ferrada pra ficar parado batendo papo? Quem? Pois é, eles.
Abstraindo-me do entorno, pirei quando ele cantou as músicas do espólio dos Los Hermanos, Pois é, Morena e Além do que se vê.

E avisa que é de se entregar o viver.
Show terminado, eis que descemos (com certa dificuldade) a São João em direção ao palco de dança porque a Gabi queria ver um balé francês com umas camas de pé (xis). Às três, voltaríamos ao palco principal, desta vez bem mais longe do povo, para ver o tributo a Tim Maia. Acontece que queríamos sentar. E, para isso, era preciso abandonar o balé das camas e ir para o palco de dança do Anhangabaú, com cadeirinhas. Esperamos lá a próxima apresentação, que seria às 3 (percebe-se que desistimos do Tim Maia). O espetáculo começa com todo mundo da plateia sendo filmado e mostrado em um telão, com tarjas pretas nos olhos. Depois, umas pessoas que mais pareciam uma mistura de Ets com robôs escandinavos começam a se jogar no chão, uma loucura. Não posso dizer muita coisa, pois primeiro nada sei de dança e segundo porque fiz teatro mais nova e eu fazia uns baratos daqueles.

Meus companheiros de virada.
Enfim, uma dança bem louca, o povo pulando e se jogando no chão, uma menina cantando que nem a Enya e tocando uma Gibson, a plateia sendo filmada e eu tentando entender o significado conotativo daquilo tudo. Eram três e meia da manhã e um cachorro entrou em cena. Ah, bonitinho e tal. Depois, um urso de pelúcia gigante é usado pela dançarina com algum propósito transcendental. Vamos embora.

o urso.
Minha virada acaba com uma menina bulinando um urso de pelúcia e eu penso: estou chata demais pra isso?
Resumindo, gostei da culinária, Pois é me levou às alturas, mas a grande quantidade de pessoas, entre elas muitas mijando, vomitando e gritando me fizeram correr dali, com uma lição aprendida: Virada Cultural? Traga seus DVDs e a pipoca, porque só se for aqui em casa.
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causos.
6.4.09
bar.
Duas garrafas de Skol 500 ml, um maço de Carlton Dunhill, uma porção de batatas fritas, um suco de melancia, um suco de açaí.
E então, em meio a risadas e fumaça, ela me diz que ele já está em outra, há assim, há muito tempo. Não sei porque o envolvera em um manto de castidade por dois anos e que nunca pensara que ele podia se apaixonar denovo. Por que isto ficara tão fora de cogitação se era uma coisa tão óbvia? Só sei que depois da grande descoberta meu interesse pela conversa diminuiu a ponto de se tornar uma irritação pela minha ingenuidade.
E então, em meio a risadas e fumaça, ela me diz que ele já está em outra, há assim, há muito tempo. Não sei porque o envolvera em um manto de castidade por dois anos e que nunca pensara que ele podia se apaixonar denovo. Por que isto ficara tão fora de cogitação se era uma coisa tão óbvia? Só sei que depois da grande descoberta meu interesse pela conversa diminuiu a ponto de se tornar uma irritação pela minha ingenuidade.
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causos.
3.4.09
derreto.
Hoje foi minha primeira noite fria na cidade.
Tão fria que congelou qualquer expectativa de diversão.
Tão fria que congelou qualquer expectativa de diversão.
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causos.,
infinito particular
29.3.09
3.3.09
televisão com cachorros
O barulho da rua é quase ensurdecedor. Buzinas, motores, gente falando, gente gritando, gente andando. Ali, a dois palmos de toda essa confusão, uma mulher parece alheia. Ela tenta a todo custo espremer um tubo de pasta de dente com um espelho barato. Sentada na calçada, veste uma blusa em frangalhos e sandálias de salto. Sua pele, que há tempos esquecera do que é banho, é levemente acariciada por seus dedos magros.
Os passageiros de um ônibus distante observam a cena, curiosos. Não é nada que lhes diga respeito, eles nada podem fazer. A realidade é muitas vezes um grande filme que a gente assiste com baldes de pipoca e coca-cola.
Os passageiros de um ônibus distante observam a cena, curiosos. Não é nada que lhes diga respeito, eles nada podem fazer. A realidade é muitas vezes um grande filme que a gente assiste com baldes de pipoca e coca-cola.
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causos.
9.2.09
rio
finalmente aconteceu.
no mesmo dia em que milhares de calouros realizaram o sonho de fazer suas matrículas na usp, eu me senti uma bixete denovo.
sem esperanças, na fila para pesar bananas no supermercado, eis que recebo a notícia pela qual esperei mais de seis meses.
uma vez vi num filme que nossa vida é dividida sempre em antes e depois de determinado acontecimento. digamos então que minha vida tem mais uma divisão: antes e pós telefonema.
se antes dele eu era uma garota triste que segurava um pacote de papel higiênico e algumas bananas, eu era então a garota mais feliz em um raio de dez kilometros segurando o mesmo pacote e as mesmas bananas.
foi a minha fuvest. a minha festa.
dezenas de veteranos invisíveis vieram pintar meu rosto.
meus pais emocionados me felicitaram pelo celular.
e isso tudo na sessão de congelados.
its about to happen.
its already begun.
no mesmo dia em que milhares de calouros realizaram o sonho de fazer suas matrículas na usp, eu me senti uma bixete denovo.
sem esperanças, na fila para pesar bananas no supermercado, eis que recebo a notícia pela qual esperei mais de seis meses.
uma vez vi num filme que nossa vida é dividida sempre em antes e depois de determinado acontecimento. digamos então que minha vida tem mais uma divisão: antes e pós telefonema.
se antes dele eu era uma garota triste que segurava um pacote de papel higiênico e algumas bananas, eu era então a garota mais feliz em um raio de dez kilometros segurando o mesmo pacote e as mesmas bananas.
foi a minha fuvest. a minha festa.
dezenas de veteranos invisíveis vieram pintar meu rosto.
meus pais emocionados me felicitaram pelo celular.
e isso tudo na sessão de congelados.
its about to happen.
its already begun.
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causos.,
infinito particular
Receitas
para curar decepção:
ingredientes: sorvete de flocos, bolinho de queijo e chocolate.
acompanhamento: muito sangue e violência de scarface com toques de sorvete.
para curar depressão:
ingrediente: patinação matutina no ibirapuera.
acompanhamento: gente desconhecida com seus cães divertidos. um toque de mp3.
suor e satisfação.
para curar isolamento:
ingrediente: leitura solitária em um pufe da livraria cultura..
acompanhamento: um livro e pouco dinheiro para resistir às tentações. um guarda-chuva.
variação noturna: cinema com amigo.
acompanhamento: café com filosofia sobre temas profundos e superficiais.
para curar solidão:
ingrediente: playcenter com amigos.
acompanhamento: paciência e perseverança. conselhos de mãe emprestada a dez, nove, oito, sete, oito, nove, dez, onze, dez, nove, oito metros de altura .
ingredientes: sorvete de flocos, bolinho de queijo e chocolate.
acompanhamento: muito sangue e violência de scarface com toques de sorvete.
para curar depressão:
ingrediente: patinação matutina no ibirapuera.
acompanhamento: gente desconhecida com seus cães divertidos. um toque de mp3.
suor e satisfação.
para curar isolamento:
ingrediente: leitura solitária em um pufe da livraria cultura..
acompanhamento: um livro e pouco dinheiro para resistir às tentações. um guarda-chuva.
variação noturna: cinema com amigo.
acompanhamento: café com filosofia sobre temas profundos e superficiais.
para curar solidão:
ingrediente: playcenter com amigos.
acompanhamento: paciência e perseverança. conselhos de mãe emprestada a dez, nove, oito, sete, oito, nove, dez, onze, dez, nove, oito metros de altura .
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