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23.9.09

boa noite, paulo.

_ Boa noite pessoal. É isso.
Os alunos se levantam e saem da sala.
"Eu devia ter dito alguma coisa sobre Manuel Bandeira. Eles sempre gostam de ouvir sobre o porquinho da índia".
Paulo destrava seu carro, estacionado na frente da lanchonete da Dona Cleide. Trânsito. Alfa FM... ah, que delícia ouvir Alfa FM.
Chega em seu prédio, elevador, apartamento. Acende as luzes da sala. Olha ao redor.
Tudo está no lugar. Os muitos livros catalogados por sobrenome do autor nas diversas estantes vizinhas, o peso de papel - lembrança de Bonito-MS -, o porta-retrato com a foto dela... tudo está no lugar.
Ele deixa as chaves em cima da mesinha de canto, tira o paletó e coloca sobre a cadeira, senta no sofá e liga a tv. Nada a se ver.
Desliga a tv, pega um livro na estante. "O velho e bom Dostoievski". Lê umas vinte páginas, pisca mais demoradamente umas duas vezes e não pensa duas vezes: hora de dormir.
Mais um dia acaba para Paulo, que acerta o despertador para às seis da manhã, coloca o pijama e diz boa noite a si mesmo. "Boa noite, Paulo".

3.8.09

ilusão

"É fácil, quando se é jovem, acreditar que aquilo que desejamos é nada mais que aquilo que merecemos, supor que, se queremos muito alguma coisa, é nosso direito divino tê-las."

Trecho de "Na Natureza Selvagem" de Jon Krakauer.

22.7.09

parece que fala de mim.

"Você via logo que Alex era inteligente", reflete Westerberg, acabando seu terceiro drinque. "Lia muito. Usava um monte de palavras pomposas. Acho que parte do que complicou sua vida talvez tenha sido que ele pensava muito. Às vezes fazia força demais para entender o mundo, saber por que certas pessoas eram más com as outras. Um par de vezes tentei lhe dizer que era um erro se aprofundar tanto naquele tipo de coisa, mas Alex empacava. Tinha sempre que saber a resposta certa e absoluta antes de passar para a próxima coisa."

Trecho de Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer.