Não quero ficar falando o quão injusto é esse mundo, porque afinal é sempre justo para alguns;
Nem do sentimento de que algo deu errado com todos os planos divinos, porque fui eu quem inventou tudo isso.
Também não vou falar de flores ou de coisas que aprendi nos discos.
Nem quero falar de cabides, porque não os conheço.
31.10.07
22.10.07
15.10.07
10.10.07
Eu penso em várias coisas desenfreadamente. Quando penso em escrever, no entanto, há uma barreira de fluxo, as palavras vêm cuspidas, vomitadas e depois, vetadas. O livro que estou lendo, Orgulho e Preconceito, tem um trecho sobre isso, a cerca de uma conversa entre Mr. Darcy e Mr. Bingley:
-Minhas idéias afluem com tal rapidez que não me dão tempo para as exprimir, pelo que minhas cartas por vezes não transmitem nenhuma idéia a meus correspondentes.
É assim que me sinto diante do ato de escrever, na maioria das vezes. Isso ocorre também porque quero falar de muitas coisas ao mesmo tempo e no fim, não escrevo sobre nada, ou sobre vários assuntos superficialmente.
Mudando de foco, é comum sentir uma desconexão com o mundo que me cerca. Recentemente, tenho vivenciado experiências que me deixam à deriva do meu próprio corpo, e é como se algo estivesse errado. É difícil explicar este sentimento, ele aflora em momentos banais, como lavar a roupa ou no meio de uma aula. Parece que, por alguns momentos, situo-me fora da matrix e percebo o ambiente como aqueles que o regem, Deus, ou o quer que seja. Pergunto-me: por que tudo isso? por que publicitária, diretora de arte, filha de fulana, residente de tal bairro, sonhadora fútil, incorruptível, amigos x, y e z, falta de amigos, ansiedade, sentimento de superioridade? Qual o propósito de tudo isso?
Por várias vezes escrevi minha situação atual, sem ECA Jr. para preencher minhas tardes e o consequente vazio que esta falta provém. Vivo como se numa onda flutuante, em meu bote, em que as tormentas localizam-se exclusivamente dentro da minha cabeça. Os desafios agora constituem-se de terminar um livro, ver os 100 filmes da bravo ou criar peças. Mas quando rabisco umas linhas tortas no papel, percebo minha deficiência e também a incapacidade de fazer algo a respeito, eu só desenho para aliviar as aulas chatas de cada dia.
Sobre as relações pessoais, presencio amizades alheias que me incomodam ou (não "e") me invejam. As mensagens do orkut do vizinho são mais verdes, as outras que ele apaga mas eu vejo excluem de mim uma participação, sim, há um ódio envolvido, mas haveria tanto ódio se houvesse tanto segredo?
Por fim, concluo: de 10% falei aqui. Tudo isso é muito maior. Se todas as pessoas revelassem suas paranóias existenciais, talvez este seria um mundo melhor. Se mais pessoas comentassem o que leram aqui sem frases feitas, esse seria um mundo melhor.
A discussão está morta sob a bandeira da modernidade.
-Minhas idéias afluem com tal rapidez que não me dão tempo para as exprimir, pelo que minhas cartas por vezes não transmitem nenhuma idéia a meus correspondentes.
É assim que me sinto diante do ato de escrever, na maioria das vezes. Isso ocorre também porque quero falar de muitas coisas ao mesmo tempo e no fim, não escrevo sobre nada, ou sobre vários assuntos superficialmente.
Mudando de foco, é comum sentir uma desconexão com o mundo que me cerca. Recentemente, tenho vivenciado experiências que me deixam à deriva do meu próprio corpo, e é como se algo estivesse errado. É difícil explicar este sentimento, ele aflora em momentos banais, como lavar a roupa ou no meio de uma aula. Parece que, por alguns momentos, situo-me fora da matrix e percebo o ambiente como aqueles que o regem, Deus, ou o quer que seja. Pergunto-me: por que tudo isso? por que publicitária, diretora de arte, filha de fulana, residente de tal bairro, sonhadora fútil, incorruptível, amigos x, y e z, falta de amigos, ansiedade, sentimento de superioridade? Qual o propósito de tudo isso?
Por várias vezes escrevi minha situação atual, sem ECA Jr. para preencher minhas tardes e o consequente vazio que esta falta provém. Vivo como se numa onda flutuante, em meu bote, em que as tormentas localizam-se exclusivamente dentro da minha cabeça. Os desafios agora constituem-se de terminar um livro, ver os 100 filmes da bravo ou criar peças. Mas quando rabisco umas linhas tortas no papel, percebo minha deficiência e também a incapacidade de fazer algo a respeito, eu só desenho para aliviar as aulas chatas de cada dia.
Sobre as relações pessoais, presencio amizades alheias que me incomodam ou (não "e") me invejam. As mensagens do orkut do vizinho são mais verdes, as outras que ele apaga mas eu vejo excluem de mim uma participação, sim, há um ódio envolvido, mas haveria tanto ódio se houvesse tanto segredo?
Por fim, concluo: de 10% falei aqui. Tudo isso é muito maior. Se todas as pessoas revelassem suas paranóias existenciais, talvez este seria um mundo melhor. Se mais pessoas comentassem o que leram aqui sem frases feitas, esse seria um mundo melhor.
A discussão está morta sob a bandeira da modernidade.
2.10.07
cegos
Saramago é foda.
Quando entro em seu mundo de cegos, tudo que me cerca se transforma. Ao levantar a cabeça, imagino como seria se todos que estão ao meu lado cegassem. Imagino que um inferno. Ele é louco, só pode ser insanamente desiquilibrado. Não consigo imaginar como consegue fazer das imagens, palavras.
Agora que estou sem nada a fazer boa parte do tempo, vejo o livro como acessório para levar na bolsa e ler compulsivamente. É um mundo que se abre, um mundo só meu.
Quando entro em seu mundo de cegos, tudo que me cerca se transforma. Ao levantar a cabeça, imagino como seria se todos que estão ao meu lado cegassem. Imagino que um inferno. Ele é louco, só pode ser insanamente desiquilibrado. Não consigo imaginar como consegue fazer das imagens, palavras.
Agora que estou sem nada a fazer boa parte do tempo, vejo o livro como acessório para levar na bolsa e ler compulsivamente. É um mundo que se abre, um mundo só meu.
20.9.07
A Terra parou de rodar.
A atmosfera adensou-se de forma a reduzir a velocidade dos carros e das pessoas. É como se estar vivo naquele dia fosse o pior programa possível.
O Sol contaminara o céu. O céu fora tingido de amarelo.
E estar parada ali, entre idas e vindas de carros, ônibus, taxis, motos e pessoas previa não só um futuro incerto, mas como a sensação de que todos guardavam um segredo de que desconhecia por dormir um pouco depois do almoço. Como se estivessemos a poucos minutos do fim do mundo, ou em um funeral coletivo. Minha calça jeans tornara-se prisão pessoal.
Tudo só voltará ao normal quando das nuvens romper uma chuva fina, ou uma chuva pesada.
A atmosfera adensou-se de forma a reduzir a velocidade dos carros e das pessoas. É como se estar vivo naquele dia fosse o pior programa possível.
O Sol contaminara o céu. O céu fora tingido de amarelo.
E estar parada ali, entre idas e vindas de carros, ônibus, taxis, motos e pessoas previa não só um futuro incerto, mas como a sensação de que todos guardavam um segredo de que desconhecia por dormir um pouco depois do almoço. Como se estivessemos a poucos minutos do fim do mundo, ou em um funeral coletivo. Minha calça jeans tornara-se prisão pessoal.
Tudo só voltará ao normal quando das nuvens romper uma chuva fina, ou uma chuva pesada.
27.8.07
Era uma casa mal-assombrada.
Parecia começo de Scooby-Doo.
Mas os trinta e seis transformaram o ambiente.
E com sua alegria transformaram-na em lar.
Cada momento vivido ali só pertence a eles.
No fim, o saldo - 18 ficam para a história, 18 seguem avante.
Uma conversa ao amanhecer.
Abraços molhados e música nos fazem pensar o quanto estes 14 meses farão falta.
Parecia começo de Scooby-Doo.
Mas os trinta e seis transformaram o ambiente.
E com sua alegria transformaram-na em lar.
Cada momento vivido ali só pertence a eles.
No fim, o saldo - 18 ficam para a história, 18 seguem avante.
Uma conversa ao amanhecer.
Abraços molhados e música nos fazem pensar o quanto estes 14 meses farão falta.
22.8.07
Não sei o que acontece comigo.
É como se tudo fosse muito complicado ou maior do que é.
Ou não, ou to encarando tudo numa boa quando o que devia fazer era me descabelar.
Tem tanta coisa.
Eu fico me questionando o que é a vida afinal, porque a gente tá aqui, pra que raios existe Deus ou qualquer entidade divina.
Somos tão pequenos que não conseguimos andar até o final da rua; somos tão pequenos numa massa mais pequena ainda que orbita num espaço ainda menor.
E mesmo tão pequenos, conseguimos fazer bagunças enormes. E na extâse da farra dos desmiolados, colocam-me como juíza de uma briga entre Céu e Terra. Enquanto o Céu derrama suas lágrimas, a Terra as recebe e forma um oceano, mas dele não bebe porque está cheio de sal.
Pode ser que tudo isso seja um grande deslocamento, a Roda da Fortuna, ou quem sabe, a Roleta Russa.
Só sei que me sinto prisioneira das horas, imersa nos compromissos que não mais são meus. E se lhe ofereço o braço, talham-me a cabeça e fico sem coração.
Até quando sentirei esse não pertencimento de mim mesma?
Até as cinzas das horas?
Até semana que vem?
Ou até o próximo colapso existencial da humanidade?
É como se tudo fosse muito complicado ou maior do que é.
Ou não, ou to encarando tudo numa boa quando o que devia fazer era me descabelar.
Tem tanta coisa.
Eu fico me questionando o que é a vida afinal, porque a gente tá aqui, pra que raios existe Deus ou qualquer entidade divina.
Somos tão pequenos que não conseguimos andar até o final da rua; somos tão pequenos numa massa mais pequena ainda que orbita num espaço ainda menor.
E mesmo tão pequenos, conseguimos fazer bagunças enormes. E na extâse da farra dos desmiolados, colocam-me como juíza de uma briga entre Céu e Terra. Enquanto o Céu derrama suas lágrimas, a Terra as recebe e forma um oceano, mas dele não bebe porque está cheio de sal.
Pode ser que tudo isso seja um grande deslocamento, a Roda da Fortuna, ou quem sabe, a Roleta Russa.
Só sei que me sinto prisioneira das horas, imersa nos compromissos que não mais são meus. E se lhe ofereço o braço, talham-me a cabeça e fico sem coração.
Até quando sentirei esse não pertencimento de mim mesma?
Até as cinzas das horas?
Até semana que vem?
Ou até o próximo colapso existencial da humanidade?
20.8.07
Poxa, quero escrever.
Aqui é Nica. Pós-aula. Harry me espera.
Mas há a fome.
Mas há a ansiedade.
E há a impaciência.
E há o fato de que todos os pensamentos se esvaem quando sento aqui e penso: tá, agora escreve.
Me entristece um pouco o fato de não haver atividade por parte dos amigos.
Como se fosse a última combatente neste terreno infértil.
Mas aí penso que gosto disso mesmo e pronto.
Porque tem tanta coisa acontecendo.
Tanta mesmo.
Angústia, felicidade, emoção, alegria e medo. Tudo junto.
Mas aí vem ele e sua mão nos meus cabelos. E eu esqueço.
Tudo some e só sobra a sensação boa.
Isso.
Aqui é Nica. Pós-aula. Harry me espera.
Mas há a fome.
Mas há a ansiedade.
E há a impaciência.
E há o fato de que todos os pensamentos se esvaem quando sento aqui e penso: tá, agora escreve.
Me entristece um pouco o fato de não haver atividade por parte dos amigos.
Como se fosse a última combatente neste terreno infértil.
Mas aí penso que gosto disso mesmo e pronto.
Porque tem tanta coisa acontecendo.
Tanta mesmo.
Angústia, felicidade, emoção, alegria e medo. Tudo junto.
Mas aí vem ele e sua mão nos meus cabelos. E eu esqueço.
Tudo some e só sobra a sensação boa.
Isso.
9.8.07
Ciclo
E mais um ciclo se fecha.
Muitos já ocorreram, outros estão por vir.
Nem todos iguais, nem todos diferentes.
Victor na Irlanda.
Mãe à esquerda.
Pai à direita.
Denis realiza o sonho de criar e desenhar e pintar e olhar e evoluir.
Thaís diz adeus à Jr. e a Jr. diz adeus à Thaís.
É o fim da paroxetina.
É o início de algo que não sei o que é.
Espero que não venha acompanhado de tontura.
Espero que eu possa levar meu Harry Potter.
Muitos já ocorreram, outros estão por vir.
Nem todos iguais, nem todos diferentes.
Victor na Irlanda.
Mãe à esquerda.
Pai à direita.
Denis realiza o sonho de criar e desenhar e pintar e olhar e evoluir.
Thaís diz adeus à Jr. e a Jr. diz adeus à Thaís.
É o fim da paroxetina.
É o início de algo que não sei o que é.
Espero que não venha acompanhado de tontura.
Espero que eu possa levar meu Harry Potter.
Assinar:
Postagens (Atom)

