8.5.09

Dalila #3

Ele era alto, magro, cabelos castanhos. Cachos.
Morava numa casa amarela, com um portão cinza e janelinhas brancas.
Tinha um cachorro marrom.
Gostava de roupas bonitas, calça jeans e camisa pólo.
Andava de um jeito engraçado.
Ele era bem bonito.
Dalila não sabia seu nome. Pouco sabia do rapaz que observava todas as manhãs, saindo de casa atrasado, perdido em meio a seus próprios pensamentos.
Ela se sentava do outro lado da rua, seu vestido um pouco mais alinhado que de costume, até tentava pentear o cabelo com as mãos quando ele passava.
E ele só passava. E ela só olhava.
E ele era um rapaz diferente. Dalila não sabia por que se sentia tão atraída.
Um dia ela resolveu atravessar a rua.
Como sempre, ele apareceu apressado, fez carinho no cachorro, procurou no molho de chaves a correta e fechou o portão.
Dalila, num impulso, resolveu arriscar. Aproximou-se do rapaz e disse olá.
Ele virou o rosto para a menina e disse: Desculpa, não tenho nada.
Ele foi embora. Ela chorou.

3 comentários:

Oito disse...

Viver, querida, é atravessar a rua.

Oito disse...

Mesmo que seja para percebermos que já estavamos do lado certo antes de atravessá-la...

Pri Caineli disse...

Vou te linkar no meu blog, tá!
bjus!