2.4.07

Querô


Querô não é bonito. É feio. Não é fácil. É difícil. Não é leve. É denso. É um soco no estômago.
Querô é o motivo pelo qual você mora no Jardins e estuda na USP. É o motivo pelo qual você não ouve hip-hop e gosta de art pop.
Querô é filho de mãe puta que morreu porque bebeu querosene achando que era cachaça. Querô quer que as coisas sejam bonitas como num romance mas tem os olhos cheios de lembranças de filme de terror.
E o pior é saber que tudo aquilo incomoda porque é verdade. Incomoda porque é a mais dura, crua e fria realidade. E se realidade não é uma palavra que pese tanto, assista Querô.
No fim, Querô me olha nos olhos sorrindo sua vitória.
Vejo Cao olhá-lo como quem olha um diamante. E realmente ele o é.
E, em meio a canapés e champagne, está o carcereiro e sua mãe, os garotos perdidos e seus bonés, a menina cantora e sua beleza e os Jardins e a art pop. Porque Querô é pop, mas Querô nasceu numa noite suja e anda perdido pelo mundo.

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